O mais tradicional desfile de carnaval de rua de São Paulo | Carnaval 2016 | 31/01/2016

História do bairro de Vila Mariana

Relato de Francisco Vilano

Barbeiro do Bairro - CHIQUINHO

História do bairro de Vila Mariana

A Vila Mariana tem História, pois era a região que ligava o centro de São Paulo a Santo Amaro. O bairroera repleto de sítios e chácaras, era o que contava os antigos moradores.Pelos anos de 1878, a Vila Mariana começa a ser povoada por imigrantes italianos e, com o seucrescimento, outros imigrantes chegaram, como os alemães, na construção da via-férrea, que seriautilizada pelos bondes que ligavam São Paulo a Santo Amaro. A antiga estrada Carril de Ferro (1886)saia da Liberdade até Santo Amaro, passando pela Vila Mariana e a estrada de ferro de Cia Inglesa, deSão Paulo, a Santos.Santo Amaro, em 1985 – 1986, prospera com os imigrantes alemães e a Vila Mariana começa a ter umcerto movimento com a chegada do comércio.
O nosso bairro ainda não possuía esse nome, era conhecido apenas como “vila”, até chegar um cidadão chamado Carlos Eduardo de Paula Petit que deu o nome ao bairro, unindo o nome de sua mãe Ana e desua esposa Maria.Em 1887, começa a funcionar no bairro o Matadouro Municipal que faz a região progredir.
A populaçãoaumenta, as oficinas de Ferro Carril se instalam na rua Domingos de Moraes, como também a fábrica defósforos e a Escola Pública de Dona Maria Petit, inauguradas na rua Vergueiro. Porém, o comércio aindaera escasso, obrigando os moradores irem de bonde até o Mercado Municipal.
Até aqui, estes dadosforam obtidos através de pesquisas em livros e, de agora em diante, posso contar os fatos em que vivi.Meu pai, de origem italiana, chega como imigrante em 1909 e, após algumas tentativas com subempregos, passou a trabalhar com alguns familiares, que já estavam aqui estabelecidos na ruaHumberto I, como vendedor de miúdos de boi, pela facilidade do Matadouro Municipal.

Esse comércio era muito lucrativo, o que fez com que muitos italianos se interessassem por essa atividade.Os italianos que viviam no bairro, na sua maioria, vieram do Sul da Itália, das mesmas províncias e, porisso, formavam uma grande família, com laços muito forte de amizade.Com a chegada de muitos imigrantes o movimento aumentou muito e famílias inteiras vieram habitar asruas já existentes e outras ruas foram abertas. Com elas, vieram o comércio: os armazéns, açougues,padarias, floriculturas, quitandas... Pequenas fábricas, como a de cerâmica, Um hotel, na ruaDomingos de Moraes, próximo à estação Ferro Carril, foi preciso para hospedar os imigrantes.Por volta de 1917, quando nasci (na rua Humberto I), a Vila Mariana já havia se tornado próspera. NoLargo da Guanabara, onde hoje é a Estação Paraíso do Metrô, havia a igreja de Santa Generosa e aCervejaria Guanabara, onde trabalhavam muitos alemães, que residiam na rua José Antonio Coelho.Esses arredores eram repletos de chácaras de verduras e nas imediações da rua Oscar Porto havia umcampo de futebol do Clube Guanabara. Ali também estava a fábrica de borracha “Fanabor”.Na ruaCubatão, havia a metalúrgica “La Fonte”!

A av. Paulista- rua mais importante da região era já naquela época totalmente calçada. Em meio anobres construções, foram construídos o Grupo Escolar Rodrigues Alves, o Hospital Santa Catarina e oInstituto Pasteur (1905).No bairro do Paraíso, estabeleceram-se os sírios e libaneses, perto da atual Catedral Ortodoxa.Com a chegada de tantos imigrantes de várias nacionalidades houve a necessidade de novas escolaspara seus filhos que, por não falarem a língua portuguesa, tiveram de contratar professores paraensiná-los na sua língua de origem. Estudei numa dessas escolas, situada na rua Major Maragliano, eque tinha o nome de Professor Francisco Spera.No ano de 1918, a Gripe Espanhola abateu o bairro e fez várias vítimas, nas quais eu me incluo.Felizmente, foram relatados poucos óbitos.Nossas ruas não eram calçadas, somente na rua Domingos de Moraes, onde as linhas de bondeduplicavam e as casas de negócios cresciam.Por volta de 1915 – 1917 chega o abastecimento de água, vinda da Cantareira ou de Cotia para a Caixa

D’água da rua Vergueiro, nesse tempo já construída.
Trilha Sonora recomendada: